O marco federal e mineiro fala bastante em fomento, patrimônio e sistema, mas ainda há margem para uma lei estadual mais específica sobre cultura digital e preservação digital do patrimônio e da produção contemporânea. Em tempos em que muito do que se cria, registra e circula já nasce em formato digital, não podemos deixar isso sem política própria.
A proposta é de instituir uma Política Estadual de Cultura Digital com foco em digitalização, difusão pública responsável, memória audiovisual, apoio à circulação digital da produção cultural e valorização de acervos culturais de interesse público. Um dos pilares dessa política é a digitalização de acervos culturais. Há um volume imenso de documentos, registros históricos, obras artísticas e arquivos audiovisuais que ainda se encontram em formato físico, muitas vezes em condições precárias de conservação. Ao autorizar e incentivar a digitalização desses acervos, o Estado não apenas protege esse patrimônio contra deterioração, mas também amplia seu acesso, permitindo que ele seja conhecido por pessoas que jamais teriam contato com ele de outra forma. Outro eixo fundamental é a criação ou estímulo à organização de um repositório digital público da cultura mineira. A proposta precisa estabelecer que toda essa difusão digital ocorra de forma responsável, respeitando direitos autorais, contextos culturais e a própria natureza dos conteúdos envolvidos.